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Sobre a suposta traição de Judas...

De: Eduardo Rosinelli – 16/04/2006

 

 

Hoje comemoramos a Páscoa. A ressurreição da Vida Eterna.

 

Este é um período em que lamentamos a morte de Cristo e 3 dias depois comemoramos a sua ressurreição. É o fim da Quaresma, um dos períodos mais obscuros do ano.

Neste período relembramos também daquele que (supostamente) traiu Jesus: Judas Iscariotes.

 

Por que insisto em dizer: “supostamente”?

 

Não sei bem o porquê, mas sempre senti algo diferente nesta história. Eu nunca consegui ver o Apóstulo Judas como um ser trevoso que deliberadamente trairia o seu Mestre.

E sem uma explicação lógica, sempre me incomodei em ver “A malhação do Judas” que sempre aparece na TV nesta época. (Mas adorei ver “A malhação dos Políticos” ontem! Hahaahahaha... queimem no inferno!)

 

Voltando: Sempre imaginei que Judas foi apenas uma peça, uma engrenagem de grande importância no cumprimento de uma profecia e que pagou um grande preço pela realização de sua missão.

 

E o que era uma simples “imaginação”, virou uma certeza após eu assistir ao programa “O Evangelho de Judas” que está passando no National Geografic Channel.

 

O programa nem foi tão bom, pois se dedicaram mais à história do documento em si do que no seu conteúdo, o que com certeza seria bem mais interessante.

 

Mas vale ressaltar algumas passagens que realmente me fizeram refletir e me trouxerem novos conhecimentos sobre assuntos que antes eu ignorava. Dentre os quais, saliento:

 

·         O Evangelho de Judas foi descoberto em 1978 no Egito, por um fazendeiro que estava à procura de tesouros e acabou encontrando uma caixa de pedra, dentro da qual estava um livro de capa de couro, contendo as páginas do Evangelho;

 

·         O Novo Testamento foi determinado no ano 180 d.C., por um único homem, conhecido como Bispo Irineu. Em um período em que os Cristãos eram perseguidos e mortos por Roma, ele escolheu os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, como os Evangelhos Oficiais, que fariam parte do Novo Testamento da Bíblia;

 

·         Nesta ocasião, o Bispo Irineu estava de posse de mais de 30 Evangelhos dentre eles o Evangelho de Tomé, de Maria Madalena e de Judas Iscariotes;

 

·         Foram escolhidos os 4 Evangelhos de maior repercussão na Época. Porém poderia ter sido escolhido um quinto Evangelho, justamente o de Tomé que era bem popular. Porém, algumas palavras deste Evangelho não condiziam com a postura da Igreja e sendo assim foi descartado; E tudo isso ficou a cargo da decisão de um só homem!

 

·         Os Evangelhos oficiais não foram escritos necessariamente por Mateus, Marcos, Lucas e João. Acredita-se que estes textos tenham sido escritos pelos “gnósticos”, que se basearam nos ensinamentos dos seguidores de Cristo, após sua morte;

 

·         O Evangelho de Judas, também foi escrito pelos gnósticos. Neste evangelho, Judas era visto como um herói, ou seja, aquele que ajudou na Libertação da Alma de Cristo;

 

·         Os chamados “gnósticos” eram pessoas que viviam à margem das Igrejas, pois acreditavam no auto-conhecimento. Tiveram peculiar interesse pela história de Jesus e colocaram no “papel”, ou melhor, no “papiro”, tudo aquilo que ouviam sobre a Vida e Morte do Filho de Deus. Os gnósticos foram os primeiros “Cristãos Místicos”, aqueles que acreditavam ter contato direto com as Divindades, sem depender do poder das Igrejas e Sacerdotes da Época”.

 

·         Nota 1: O que me causaria um certo espanto é alguém ter decorado todo o “Sermão da Montanha” para escreve-lo mais de 50 anos depois. Mas sei que o Sermão da Montanha não foi escrito baseando-se na memória de alguém. Ele foi psicografado junto àquele que escreveu o Evangelho de Mateus (que possui o discurso completo);

 

·         Acredita-se que os Evangelhos do Novo Testamento foram escritos muitos anos depois da morte dos 4 Evangelistas;

 

·         O Evangelho de Judas não faz referência alguma à crucificação de Cristo. Neste Evangelho, salientam-se apenas as mensagens do Mestre estando ele em plena Vida. A narrativa termina exatamente no momento da “traição”. Momentos antes, Jesus explica a Judas a sua missão e a sua grandeza entre os demais. E salienta a real importância de sua atitude, a “suposta traição”;

 

·         Nota 2: O Novo Testamento também possui as cartas de Paulo aos diversos povos, além de cartas de outros apóstolos, dentre as quais destaco O Apocalipse, de João. O Apocalipse será tema de um dos meus próximos textos. Porém a parte principal é justamente os 4 Evangelhos, que contém a história de Jesus Cristo.

 

 

Pois bem, o programa nos fez estas revelações. Mas durante a semana eu fiz algumas pesquisas, pensei bastante a respeito do que vi no programa, reli alguns trechos dos Evangelhos oficiais e cheguei a uma conclusão:

 

Judas Iscariotes não foi um traidor.

 

Ele apenas cumpriu uma missão de grande importância e que lhe foi imposta antes mesmo de seu nascimento terrestre.

 

Citarei alguns fatos importantes que defendem esse pensamento:

 

*  Ao escolher os 12 apóstolos, Jesus sabia muito bem quem era cada um deles e qual seria a missão de cada um. Inclusive a missão de Judas;

 

*  Judas era o tesoureiro do grupo, ou seja, assumiu o cargo de maior confiança entre todos.

 

*  Quem condenou Jesus à Crucificação foi o próprio povo, que gritava pela liberdade de Barrabás e pela morte de Cristo, mesmo com os argumentos de Pôncio Pilatos: “Mas o que este Homem fez de mal?” – Marcos 15;14 – Jesus Cristo foi condenado pelo mesmo povo que ensinava e curava dias atrás;

 

*  A História da Crucificação já estava escrita há séculos e naquela noite a profecia se cumpriria – “Eis que é chegada a hora. O Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores” – Mateus 26;45.

 

*  Jesus entrega-se ao seu destino – “Ou pensas que eu não poderia agora orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” – Mateus 26;53,54. – Preste atenção: “...assim convém que aconteça”;

 

*  Judas arrepende-se, sem ter ciência de sua missão – “Pequei, traindo sangue inocente. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.” – Mateus 27;4,5.

 

*  Há o que se refletir sobre esta passagem: “Entrou, porém Satanás em Judas...e foi ter com os principais dos sacerdotes” – Lucas 22;3,4. - Porque é citado o Satanás em uma missão que já havia sido profetizada? Será que Judas estava se recusando a trair o Mestre e dessa forma o Mal teve que atuar junto a ele?

 

*  Outra passagem digna de reflexão: “E na verdade, o Filho do Homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído.Lucas 22;22 – Sim, o destino de nosso Mestre já estava determinado, mas qual seria a condenação para aquele cujo destino também estava pré-determinado, o de amargar o título de traidor por toda a eternidade. Seria esta sua missão e condenação?

 

*  Qual seria o real papel de Judas na prisão de Jesus, se tal fato poderia ter ocorrido a qualquer momento, pois Jesus circulava livremente pela região? “Tenho estado todos os dias convosco no templo e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas” – Lucas 22;53 – Talvez a profecia citasse a “traição por aquele de maior confiança”;

 

*  Agora na visão de João, temos a certeza de Jesus, e a tentação de Judas: “Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, ... E acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse.” – João 13;1,2. – Eu ainda creio que Judas estava relutante no cumprimento de sua missão;

 

*  O texto de João é diferente dos demais textos no que se refere à prisão de Jesus. Nos outros Evangelhos, Judas beija Jesus, para mostrar aos soldados do templo quem seria o Cristo. No texto de João, o próprio Jesus se apresenta como sendo o Cristo e Judas apenas levou os soldados ao Getsêmani, onde supostamente ele estaria com os seus discípulos. Sendo assim, volto a dizer: A prisão de Jesus não poderia ter ocorrido no dia seguinte, sem envolver a participação de Judas? Veja a seqüência dos fatos, relatada em João, Capítulo 18: Judas e os soldados chegaram junto a Jesus e este pergunta: “A quem buscais” – No que lhe responderam: “A Jesus, o Nazareno” – “SOU EU”: Disse Jesus em tom de voz tão forte que derrubou vários soldados ao chão. E Jesus pede que o levem e que deixem os demais livres;

 

*  Agora vem a parte mais complexa - aquela em que Jesus ordena a Judas que este vá buscar os soldados: Em João, 13;21a30, quando questionado sobre quem seria o traidor, Jesus diz: “É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão. E após o bocado, entrou nele Satanás. Disse pois Jesus: O que fazes, faze-o depressa. ... E tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E já era noite”. Momentos depois eles se reencontrariam no Getsêmani, pela última vez. O fato de Satanás ter sido citado novamente me dá a certeza de que Judas estava relutante em cumprir a missão. Ele não queria trair o Mestre.

 

 

Pois bem. É uma história que já é contada há 2.000 anos, mas eu sinceramente acho que essa história deve ser compreendida, levando-se em conta o papel de nosso Mestre Jesus Cristo na salvação da humanidade e na transmissão de sua mensagem de Amor e Fé.

 

Muito se conhece sobre o nascimento e morte de Jesus. Muito se fala e se representa a respeito de sua crucificação de seu sofrimento nos últimos momentos de sua vida.

 

Mas eu realmente creio que o importante é a Mensagem do Mestre, as suas diversas parábolas, os ensinamentos do Sermão da Montanha, a importância de a todo instante lembrar aos seus seguidores: “Vá em Paz, a Tua Fé te salvou!

 

Com sua morte, ele “lavou os pecados do mundo”, mas com sua VIDA ele nos deu um caminho em linha reta, uma direção certeira rumo à Morada do Pai.

 

Creio realmente que sejam nessas lições que temos que nos concentrar e conseqüentemente, agir com base nelas.

 

Informo a quem interessar possa, que Judas hoje é um grande Ser de Luz.

 

Nota 3: creio que nesta parte da Bíblia existe uma referência aos gnósticos que escreveram os Evangelhos:

      “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o principio e foram ministros da Palavra.” – Lucas 1;1,2

 

Uma Páscoa de muita Luz e Paz a todos.

 

 

 

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