O
Império Romano Bizantino que correspondia ao Império Romano do Oriente, surgiu
de uma divisão proposta por Teodósio, em 395. A sede desse império
localizava-se em Bizâncio, antiga cidade fundada por marinheiros de Megara (Grécia), em 657 a.C.
Muito
tempo após a fundação de Bizâncio, o imperador Constantino percebeu as
vantagens que ela oferecia, em termos de segurança e de possuir uma posição
comercial estratégica. Constantino enviou, então, arquitetos e agrimensores
para remodelar a cidade. A 11 de maio de 330, a cidade foi inaugurada pelo
Imperador, sob o nome de Nova Roma. O povo, porém, preferiu chamá-la pelo nome
de seu fundador, Constantinopla. A cidade permaneceu com esse nome até o século
VII, quando adotou novamente o nome de Bizâncio (embora os ocidentais ainda
utilizassem o nome Constantinopla).
Após
a tomada pelos turcos otomanos, em 1453, recebeu o nome de Istambul, que
permanece até hoje. Essa data é tradicionalmente utilizada para assinalar o fim
da Idade Média e início da Idade Moderna.
Em seus primeiros tempos, o Império Romano do Oriente conservou nítidas influências romanas, tendo as dinastias Teodosiana
(395-457), Leonina (457-518) e Justiniana (518-610)
mantido o latim como língua oficial do Estado, conservando a estrutura e
as denominações das instituições político-administrativas romanas. A
predominância étnica e cultural grega e asiática, entretanto, acabaria
prevalecendo a partir do século VII.
Nos séculos IV e V, as invasões de visigodos, hunos e ostrogodos
foram desviadas para o Ocidente mediante o emprego da força das armas, da
diplomacia ou pelo pagamento de tributos, meios usados pelos bizantinos durante
séculos para sobreviver. Essas ameaças externas puseram em perigo a estabilidade
do Império Bizantino, internamente convulsionado por questões religiosas, que
também envolviam divergências políticas. É o caso do Monofisismo, doutrina
religiosa elaborada por Eutiques (superior de um
convento de Constantinopla), centralizada na concepção de que só havia a
natureza divina em Cristo.
Embora considerada heresia pelo Concílio de Calcedônia (451 d.C.),
que reafirmou a natureza divina e a natureza humana de Cristo, a doutrina
monofisista propagou-se pelas províncias asiáticas (Ásia Menor e Síria) e
africanas (Egito), onde se identificou com aspirações de independência.
Enquanto o Império Romano do Ocidente caía diante dos bárbaros, o
Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, resistia. Na verdade, essa
parte privilegiada do Mediterrâneo manteve uma intensa atividade comercial e
urbana. Suas cidades se tornaram cada vez mais luxuosas e movimentadas. A
cultura greco-romana foi preservada e a doutrina cristã passou a ser discutida
com grande minúcia e intensidade.
Justiniano, um dos mais famosos e poderosos imperadores bizantinos
reconquistou alguns territórios romanos dominados pelos bárbaros e o Império
Bizantino tornou-se rico e poderoso. O centro dinâmico do império estava nas
grandes cidades: Bizâncio, Antioquia, etc. Nelas morava a classe rica, composta
por grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras, alto clero ortodoxo
e funcionários destacados. Toda essa gente exibia o luxo de artigos requintados
como roupas de lã e seda ornamentadas com fios de ouro e prata, vasos de
porcelanas, tapeçarias finas, etc.
Havia ainda uma classe urbana intermediária formada por
funcionários de baixo e médio escalão e pequenos comerciantes. A grande maioria
da população compunha-se entretanto de trabalhadores
pobres e escravos.
Nas festas religiosas em Bizâncio podia-se encontrar o confronto
entre dois mundos: o mundo oficial do Imperador, da corte e da Igreja; e o
mundo dos homens comuns que ainda adoravam os deuses pagãos (de paganus, camponês).
O imperador romano do oriente ostentava seu poder em cerimônias
públicas imponentes, com a participação dos patriarcas e dos monges. Nessas ocasiões , a religião oficial - o cristianismo -
confundia-se com o poder imperial.
As
bases do império eram três: a política, a economia e a religião, e, para manter
a unidade entre os diversos povos que conviviam em Bizâncio, Constantino
oficializou o cristianismo, tendo o cuidado de enfatizar nele aspectos como
rituais e imagens dos demais grupos religiosos.
A arte bizantina consistiu numa mistura de influências helênicas,
romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais, cabendo-lhe,
durante mais de um milênio, preservar e transmitir a cultura clássica
greco-romana. É, portanto, um produto da confluência das culturas da Ásia Menor
e da Síria, com elementos alexandrinos. No plano cultural, essa multiplicidade
étnica refletiu a capacidade bizantina de mesclar elementos diversos, como o
idioma grego, a religião cristã, o direito romano, o gosto pelo requinte
oriental, a arquitetura de inspiração persa, etc. O mundo bizantino foi
bastante marcado pelo interesse por problemas religiosos. Dizia-se que em todos
os lugares de Constantinopla encontravam-se pessoas envolvidas em debates
teológicos.
É da arte bizantina que surgem os modelos para toda a Idade Média.
Entre outras coisas, é nela que surgem, pela primeira vez, representações das
cortes angelicais. A arte dentro dos templos representou realmente uma teologia
da imagem. Já na parte externa, através de pinturas e mosaicos, representava um
maravilhoso espetáculo para a alma. A imagem bizantina era um prolongamento do
dogma, e o desenvolvimento da doutrina através da arte.
A arte bizantina era uma arte cristã,
de caráter eminentemente cerimonial e decorativo, em que a harmonia das formas
- fundamental na arte grega - foi substituída pela imponência e riqueza dos
materiais e dos detalhes. Desconhecia perspectiva, volume ou profundidade do
espaço e empregava em profusão as superfícies planas, onde sobressaíam melhor
os ornamentos luxuosos e complicados que acompanhavam as figuras.
A religião ortodoxa, além de
inspiradora, funcionava como censora - o clero estabelecia as verdades sagradas
e os padrões para representação de Cristo, da Virgem, dos Apóstolos, ou para exaltação
da pessoa do imperador que, além de absoluto, com poderes ilimitados sobre
todos os setores da vida social, era o representante de Deus na terra, com
autoridade equiparada à dos Apóstolos. Assim, ao artista cabia apenas a
representação segundo os padrões religiosos, pouco importando a riqueza de sua
imaginação ou a expressão de seus sentimentos em relação a
determinada personagem ou doutrina sacra, ou mesmo ao soberano onipotente. Essa
rigidez exlica o caráter convencional e certa uniformidade de estilo constantes no desenvolvimento da arte
bizantina.
A história da arte bizantina pode ser dividida em cinco
períodos (alguns preferem a classificação em três: Idade do Ouro,
Iconoclastia e 2a Idade do Ouro), que coincidem aproximadamente com
as dinastias que se sucederam no poder do império.
Ø Período constantiniano
A
formação da arte bizantina deu-se no período constantiniano,
quando vários elementos se combinaram para dar forma a um estilo bizantino,
mais presente nas criações arquitetônicas, já que pouco resta da pintura, da
escultura e dos mosaicos da época, muitos dos quais teriam sido destruidos durante o período iconoclasta que ocorreria no
século VIII.
Ø Período justiniano
A
arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI,
durante o reinado do Imperador Justiniano. Essa, na verdade, foi sua primeira
fase áurea.
Esse
período corresponde à fixação dos grandes traços dessa arte imperial. As
plantas arquitetônicas diversificaram-se: planta retangular com armação, ou
centrada, com número de naves variável e coberta com uma cúpula. Santa Sofia de
Constantinopla, atribuída a Artêmios de Tralles e Isidoro de Mileto, é o templo mais notável dessa
época, ao lado das igrejas de Ravena e Santa Catarina
do Sinai.
A
crise do iconoclasmo, caracterizado pela rejeição da
representação do divino, favoreceu o monaquismo e o
aparecimento da escola capadociana.
Das
poucas obras de arte que restam do período, a mais notável é a Cathedra de Maximiano, em Ravenna (546-556), recoberta de placas de marfim com cenas
da vida de Cristo e dos santos. Ainda, basicamente helenísticos, são o
"marfim Barberini" (Museu do Louvre) e o díptico do arcanjo Miguel (Museu Britânico).
Uma
das características deste período se apresenta na decoração, com formas
naturalísticas em ornatos sempre mais elaborados. Igual tendência manifesta-se
nos tecidos de seda, como os conservados no Museu de Cluny,
em Paris, de inspiração nitidamente persa.
Da
produção artística que medeia entre a morte de Justiniano I e o início da fase
iconoclasta, destaca-se o artesanato em metais.
O
culto às imagens e às relíquias, por ser considerado
idolatria de feição pagã, foi combatido pelos imperadores ditos
iconoclastas, nos séculos VII e VIII, quando foram destruídos quase todos os
conjuntos decorativos e as raras esculturas da primeira idade áurea,
principalmente em Constantinopla. A iconoclastia se deveu ao conflito entre os
imperadores e o clero.
A
luta entre iconódulos (favoráveis as imagens) e
iconoclastas resultou na proibição de toda representaçao
iconográfica na Igreja Oriental à partir de 754.
Entretanto, essa proibição duraria pouco tempo e no século IX a arte retornaria
ser utilizada como veículo de catequização e devoção.
Assim,
após Justiniano, as artes somente voltaram a florescer durante a dinastia macedoniana, depois de superada a crise iconoclasta.
Ø Período macedoniano
Também
chamado segunda fase áurea bizantina ou renascença bizantina, o período macedoniano inicia-se com Basílio I (867-886) e atinge o
apogeu no reinado de Constantino VII Porfirogênito
(945-959).
Por
volta do século X, a decoração das igrejas obedeceu a
um esquema hierárquico: cúpulas, absides e partes superiores foram destinadas
às figuras celestes (Cristo, a Virgem Maria, os santos etc.). Já as partes
intermediárias, como áreas de sustentação, às cenas da vida de Cristo; e as
partes inferiores, à evocação de patriarcas, profetas, apóstolos e mártires.
A
disposição, colorida, e a apresentação das diferentes cenas, variavam de modo
sutil, para criar a ilusão de espaço e transformar em tensão dinâmica a
superfície achatada e estática das figuras.
Destacam-se,
desse período, a escultura em marfim, de que existiram dois centros principais
de produção, conhecidos como grupos romano e nicéforo.
Há,
ainda, o esmalte e o artesanato em metais, que atestam o gosto bizantino pelos
materiais belos e ricos.
A
arte sacra imperial humanizou-se: os santuários passaram a ter proporções menos
imponentes, mas a planta em cruz inscrita chegava à perfeição e tornava-se
perceptível do exterior. Colocada sobre pingentes ou sobre trompas de ângulo
(porção da abóbada que sustenta uma parte saliente do edifício), a cúpula é
sustentada pelas abóbadas em berço ou abóbadas em aresta. Na Grécia, Dáfni, São Lucas na Fócida e os Santos
Apóstolos de Atenas são exemplos desse tipo, assim como a igreja do Pantocrator, em Constantinopla.
As
artes menores são testemunhos de um luxo refinado. Foi
sob o reinado dos Comnenos que foram erguidas as
numerosas igrejas da Iugoslávia (Ohrid, Nerezi, etc.).
Ø Período comneniano
A
arte comneniana, marcada por uma independência cada
vez maior da tradição, evolui para um formalismo de emoção puramente religiosa.
Esta
arte, nos séculos seguintes, servirá de modelo à arte bizantina dos Balcãs e da Rússia, que tem nos ícones e na pintura mural
suas expressões mais elevadas.
Ø Período paleologuiano
Durante a dinastia dos Paleólogos
torna-se evidente o empobrecimento dos materiais, o que determina o predomínio
da pintura mural, de técnica mais barata, sobre o mosaico.
Podem-se distinguir duas grandes escolas, sendo a primeira delas, a de Salonica, que continua a tradição macedoniana
e pouco ou nada inova.
A
outra, mais cheia de vitalidade e originalidade, é a de Constantinopla,
iniciada por volta de 1300, como se pode verificar pelos mosaicos e afrescos da
igreja do Salvador.
Nesta
fase, o realismo e decoração narrativa tenderam a generalizar-se. As cenas
estão plenas de personagens (mosaico de São Salvador-in-Cora.
hoje Kahriye Camii, de
Constantinopla); os afrescos multiplicaram-se. Os grandes centros de arte sacra
bizantina são Tessalônica, Trebizonda
e Mistra. Apesar do desaparecimento do Império, a
marca da arte bizantina manteve-se nas regiões mais diversas, como o monte
Atos, a Iugoslávia, a Bulgária, a Romênia e a Rússia, a qual continuaria a
produzir notáveis ícones.
ARQUITETURA
Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua expressão mais perfeita na
construção de igrejas. E foi precisamente nas edificações religiosas que se
manifestaram as diversas influências absorvidas pela arte bizantina. Houve um
afastamento da tradição greco-romana, sendo criadas, sob influência da
arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais. Foi
nessa época que se iniciou a construção das igrejas de planta de cruz grega,
coberta por cúpulas em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espaços
quadrados com teto de base circular.
As características predominantes
seriam a cúpula (parte superior e côncava dos edifícios) e a planta de eixo
central, também chamada de planta de cruz grega (quatro braços iguais). A
cúpula procurava reproduzir a abóbada celeste. Esse sistema, que parece já ter
sido utilizado na Jordânia em séculos anteriores e inclusive na Roma Antiga, se
transformou no símbolo do poderio bizantino.

A
necessidade de construir Igrejas espaçosas e monumentais,
determinou a utilização de cúpulas sustentadas por colunas, onde haviam
os capitéis, trabalhados e decorados com revestimento de ouro, destacando-se a
influência grega.
O apogeu cultural
de Bizâncio teve lugar sob o reinado de Justiniano e sua arquitetura se
difundiu rapidamente pela Europa ocidental, mas adaptada à econômia
e possiblidades de cada cidade.
A
Igreja de Santa Sofia é o mais grandioso exemplo dessa arquitetura, onde
trabalharam mais de dez mil homens durante quase seis anos. Por fora o templo
era muito simples, porém internamente apresentava grande suntuosidade,
utilizando-se de mosaicos com formas geométricas, de cenas do Evangelho.
São também, entre outras, exemplos do
esplendor da arquitetura bizantina, construídas por Antêmio
de Trales e Isidoro de Mileto: as igrejas de São
Sérgio e São Baco e a dos Santos Apóstolos, bem como a Igreja de Santa Irene.




Na
cidade italiana de Ravena, conquistada pelos
bizantinos, desenvolveu-se um estilo sincrético, fundindo elementos latinos e
orientais, onde se destacam as Igrejas de Santo Apolinário e São Vital, destacando-se esta última onde existe uma cúpula central
sustentadas por colunas e os mosaicos como elementos decorativos.
PINTURA
A
pintura bizantina não teve grande desenvolvimento, pois assim como a escultura
sofreram forte obstáculo devido ao movimento iconoclasta .
Encontramos três elementos distintos: os ícones, pinturas em painéis portáteis,
com a imagem da Virgem Maria, de cristo ou de santos; as miniaturas, pinturas
usadas nas ilustrações dos livros, portanto vinculadas com a temática da obra;
e os afrescos, técnica de pintura mural onde a tinta era aplicada no
revestimento das paredes, ainda úmidos, garantindo sua fixação.

Destaca-se
na escultura o trabalho com o marfim, principalmente os dípticos,
obra em baixo relevo, formada por dois pequenos
painéis que se fecham, ou trípticos, obras
semelhantes às anteriores, porém com uma parte central e duas partes laterais
que se fecham.

MOSAICOS
O
Mosaico foi uma forma de expressão artística importante no Império Bizantino,
principalmente durante seu apogeu, no reinado de justiniano, consistindo na formação de uma figura com
pequenos pedaços de pedras colocadas sobre o cimento fresco de uma parede. A
arte do mosaico serviu para retratar o Imperador ou a imperatriz, destacando-se
ainda a figura dos profetas.

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