ARTE GÓTICA
O estilo Gótico desenvolveu-se na Europa, principalmente na França, durante a Baixa Idade Média e é identificado como a Arte das Catedrais.
A partir do século XII a França conheceu transformações importantes, caracterizadas pelo desenvolvimento comercial e urbano e pela centralização política, elementos que marcam o início da crise do sistema feudal.
A
Arte Gótica reflete o desenvolvimento das cidades. Período da arte de estilo
gótico estendeu-se por 400 anos (de mais ou menos 1.100 até 1.500). Deve-se entender o desenvolvimento da época
ainda preso à religiosidade,
tendo Deus como elemento supremo.
Dessa
maneira percebe-se uma renovação das formas, caracterizada pela verticalidade e
por maior exatidão em seus traços, porém com o objetivo de expressar a harmonia
divina.
O
termo Gótico foi utilizado pelos italianos renascentistas, que consideravam a
Idade Média como a idade das trevas, época de bárbaros, e como para eles os godos eram o povo bárbaro mais conhecido, utilizaram a
expressão gótica para designar o que até então chamava-se
"Arte Francesa ".
Em
476, com a tomada de Roma pelos povos bárbaros, tem início o período histórico
conhecido por Idade Média. Na Idade Média a arte tem suas raízes na época
conhecida como Paleocristã, trazendo modificações no
comportamento humano, com o Cristianismo a arte se voltou para a valorização do
espírito.
Os
valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. A concepção
de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo e a medida de todas as coisas.
A
igreja como representante de Deus na Terra, tinha poderes ilimitados.
No século
XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no
comércio. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a
cidade e apareça a burguesia urbana.
No
começo do século XII, a arquitetura predominante ainda é a romântica, mas já
começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução
profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios.
A divisão da arte
gótica dá-se em 3 períodos:
Ø I Período:
século XII, 1140 a 1190
chamado período de transição ou gótico primitivo. Ainda pouco elevado, o arco
ogival ou quebrado é usado juntamente com o arco romântico.
Ensaia-se
o verticalismo procurando romper-se, ainda que com
hesitação, com o horizontalismo do estilo românico.
As fachadas das igrejas e das catedrais passam a ser enriquecidas com
esculturas decorativas.
A rosácea predomina mais parede que vitral. “O círculo -
entre todas as figuras - e o movimento circular - entre todos os movimentos –
são soberanamente perfeitos porque neles se verifica o retorno aos princípios”
(St. Tomas – Suma Contra Gentis, II, 46-1).
!
Portais
quase em arco românico
!
Preponderância
de espaços cheios sobre vazios
!
Colunas
e pilastras grossas
!
Arcobotantes
curtos e grossos
!
Divisão
da fachada por pilastras

Ø II Período:
século XIII, 1190 a
1350, chamado gótico lanceolado. O arco ogival torna-se bastante elevado, sendo
formado por um triângulo agudo. Acentua-se o verticalismo
com o aperfeiçoamento e o uso constante da divisão da abóbada.
Generaliza-se o uso do vitral (o cinema do
crente daquela época) e as fachadas assumem maior decorativismo
e suntuosidade.
É
a época da construção das grandes catedrais que surgem por toda a Europa, tais
como a Notre Damme de
Paris, a Catedral de Chartres e a Catedral de Milão.
A
rosácea Radiante. “Una e simples no seu princípio a luz divina se divide
e se diversifica na medida em que as criaturas intelectuais se afastam como
linhas de um centro” (St. Tomas, Summa
Teologiae I,89,1)
! Ogivas lanceadas
! Equilíbrio entre área vazia e cheia
! Colunas fasciculadas com capitel
! Galeria dos Reis
!
Arcobotantes
longos, finos e elegantes.



F
III
Período:
século XV, 1350 a
1500, chama-se gótico flamejante ou "flamboyant". O Arco ogival é agora
formado por um triângulo obtuso, tornando-se ainda menos agudo, tendendo ao horizontalismo.
As
nervuras decorativas no interior dos arcos, das janelas, e portais, pela
posição das curvas e contracurvas, surgem labaredas. Atenua-se acentuadamente o
verticalismo. Fachadas profusamente decoradas.
A
rosácea com chamas.
! Cruzamentos numerosos de ogivas
! Ogivas Abatidas
! Ogivas com Cortinas
! Colunas cilíndricas sem capitel
! Preponderância da decoração sobre a
arquitetura
!
Arcobotantes
enfeitados

A
arquitetura foi a principal expressão da Arte Gótica e
propagou-se por diversas regiões da Europa, principalmente com as construções
de imponentes igrejas. Apoiava-se nos princípios de um forte simbolismo
teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base
espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os
nervos eram o caminho para Deus.
Além
disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica
luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas
Escrituras.
Do
ponto de vista material, a construção gótica, de modo geral, se diferenciou
pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial
distribuição da luz no espaço.
Tudo
isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes
desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício,
e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos
ou irregulares. No entanto, ainda considera-se o arco de ogiva como a
característica marcante deste estilo.
A
primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada.
Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja
gótica tem três portais que dão acesso à três naves do
interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais.
A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.
A
rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e
está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros
elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais
e os vitrais coloridíssimos que filtram a
luminosidade para o interior da igreja.
As
catedrais góticas mais conhecidas são:
Catedral de Notre Dame de Paris
e a Catedral de Notre Dame
de Chartres.

A
escultura gótica desenvolveu-se paralelamente à arquitetura das Igrejas e está
presente nas fachadas, tímpanos e portais das catedrais, que foram o espaço
ideal para sua realização.
Caracterizou-se
por um calculado naturalismo que, mais do que as formas da realidade, procurou
expressar a beleza ideal do divino; no entanto a escultura pode ser vista como
um complemento à arquitetura, na medida em que a maior parte das obras foi desenvolvida separadamente e depois colocadas no interno das
Igrejas, não fazendo parte necessariamente da estrutura arquitetônica.
As
esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando
verticalidade, alongamento exagerado das formas, e as feições são
caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem
representada, exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela
igreja.

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de
livros manuscritos (a
gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica
China).
O
desenvolvimento de tal genero está ligado à difusão
dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros.
Durante
a Idade Média, os ensinamentos cristãos, propagados em diversos detalhes das
catedrais góticas, sobretudo nos vitrais, eram também marcados (literalmente)
em folhas de papel.
É
precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os
Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis. É
possível comparar as paredes translúcidas às miniaturas e iluminuras dos
manuscritos medievais que, delimitados em um período que se estendeu por volta
do ano 500 a 1500, traziam freqüentemente referências às cenas bíblicas, além
de temas profanos.
Aparentemente,
os termos "miniatura" e "iluminura" são sinônimos. No
entanto, há diferenças entre esses tipos de ilustração. A primeira é
considerada uma técnica mais restrita em comparação à
segunda e caracteriza-se por ornamentos simples e letras de fantasia,
desenhados com tinta vermelha composta de mínio e cinábrio.
Já
a iluminura apresenta uma maior variedade de cores e não admite sombra, mas
gradações de cor.
Durante o século XII e até o século XV, a arte
ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos
ilustrados.
Os copistas
dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa
tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos,
os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.
Da observação dos
manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a
compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a
segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão
habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão
analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros
pintores.


A
pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV,
quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento.
Sua
principal particularidade foi a procura o realismo na
representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando
de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos,
cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano
celeste.
Os
principais artistas na pintura gótica são:
Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que
vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.
Obras
destacadas: Afrescos
da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os
Pastores.

Nota-se em suas pinturas um cuidado
com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.
Obras
destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

Like?
Envie
um e-mail
Pinte sua opinião
Retorne ao Blog
A
autora no Orkut
_