A
arte grega é a representação da realidade, cuja manifestação é sempre precária
e fragmentada. O grego cultivava a arte pela arte, porque o cidadão pertencia à
política e menosprezava a sua dignidade se fizesse da arte uma produção, um meio
de sustento. Para os helênicos, a natureza era a norma e a ciência dava a
virtude.
Na
Grécia, a beleza e a racionalidade do universo eram as manifestações mais
elevadas do Bem. Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte
grega liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres
inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. Na sua constante
busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em
que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal.
Características
da arte grega:
As manifestações artísticas gregas encontraram
os seus alicerces numa filosofia antropocêntrica
de sentido racionalista
que inspirou as duas características fundamentais deste estilo: por um lado a
dimensão humana e o interesse pela representação do homem e, por outro, a
tendência para o idealismo traduzido na adoção de cânones ou regras fixas que
definiam sistemas de proporções e de relações formais para todas as produções
artísticas, desde a arquitetura à escultura.
O
estilo geométrico surge no primeiro período da arte grega. Percebe-se uma
disputa entre linhas retas e curvas. Este novo estilo, o Arcaico, mostra-se
claramente na cerâmica e na arquitetura. De maneira limitada e repetitiva,
surgem as figuras de animais e monstros mitológicos, além de imagens do homem
nu, o atleta, e da mulher vestida, lembrando uma deusa.
Do
ponto de vista cronológico, a história da arte grega pode ser dividida nos
seguintes períodos:
Y
-1550
a –1100 : Periodo Micenico. Temas ligados à caça e à guerra, monumentalidade, estilização, grande influência da cultura minoica.
Y
-1100
a –750 : Idade das trevas. Empobrecimento cultural.
Após -900, emergência de estilos cerâmicos regionais e dos primeiros templos de
madeira.
Y
-750
a –480 :Periodo Arcaico.
Influência oriental, uso da pedra em templos e edifícios públicos, cerâmica com
cenas narrativas e estátuas em tamanho natural. Formas estáticas e estilizadas,
domínio imperfeito da anatomia e da proporção.
Y
-480
a –323 : Periodo Classico. Amadurecimento e apogeu da arte grega. Templos e
edifícios públicos monumentais, representação naturalista da figura humana,
utilização de formas idealizadas de homens e mulheres em movimento.
Y
-323
a –30 : Periodo Helenistico. Representação das emoções, figuras com traços
realistas e menos idealizados, desenvolvimento do nu feminino, dos retratos,
das casas particulares e do planejamento urbano.
A
principal manifestação da arquitetura foram os templos gregos. Suas
origens devem ser procuradas no megaron micênico. Este aposento era a acomodação principal do
palácio do governante, uma sala retangular, à qual se tinha acesso através de um
pequeno pórtico (pronaos), e 4
colunas que sustentavam um teto parecido com o atual telhado de duas águas.
Os
templos eram construídos normalmente sobre uma plataforma de um metro de altura
chamada estereóbato. No princípio, os materiais utilizados
eram o adobe, para as paredes, e a madeira, para as colunas. Mas, a partir do
século VII a.C. foram substituídos pela pedra. Essa inovação permitiu que fosse
acrescentada uma nova fileira de colunas na parte externa (peristilo)
da edificação, fazendo com que o templo obtivesse um ganho no que toca à monumentalidade.
A
princípio as colunas obedeceram a dois estilos: o Dórico, mais simples e
"mais pesado" , e o Jônico, considerado
"mais suave". No século V surgiu o estilo Coríntio, considerado mais
ornamentado, refinado. Foi neste século V, também século de Péricles, que a
arquitetura conheceu seu maior desenvolvimento, tendo como grande exemplo o Partenon de Atenas, do arquiteto Ictino.
O
Partenon de Atenas é a mais evidente ilustração desse
brilhante período arquitetônico grego.

Entre
os séculos XI e IX a.C. a escultura produziu pequenas
obras, representando figuras humanas, em argila ou marfim.
Durante
o período arcaico a pedra tornou-se o material mais utilizado, comum nas
simples estátuas de rapazes ( Kouros
) e de moças (Korés) e ainda refletiam a influência
externa.
As figuras esculpidas apresentavam formas lisas e arredondadas e plasmavam na
pedra uma beleza ideal. Essas
figuras humanas guardavam uma grande semelhança com as esculturas egípcias, as
quais, obviamente, lhes haviam servido de modelo.
Com o advento do classicismo a
estatuária grega foi assumindo um caráter próprio e acabou abandonando
definitivamente os padrões orientais.
Foi o consciencioso estudo das
proporções que veio oferecer a possibilidade de se
copiar fielmente a anatomia humana, e com isso os rostos obtiveram um ganho
considerável em expressividade e realismo.
O
apogeu da escultura ocorreu no período clássico, durante o século V , quando as
obras ganharam maior realismo, refletindo a perfeição das formas e a beleza
humana. Mais
tarde introduziu-se o conceito de contraposto - posição na qual a escultura se
apoiava totalmente numa perna, deixando a outra livre, e o princípio do
dinamismo tomou forma nas representações de atletas em plena ação.
Entre os grandes artistas do
classicismo estão: Policleto, Miron,
Praxíteles e Fídias. Há aimda Lisipo que, nas suas
tentativas de plasmar as verdadeiras feições do rosto criou os primeiros
retratos. Posteriormente
ganharam dinamismo, como se percebe no Discóbolo de Miron.
O resultado disso foi o surgimento de
obras de inigualável monumentalidade e beleza, como O
Colosso de Rodes, de trinta e dois metros de altura.

Para
falar da pintura grega é necessário fazer referência à cerâmica, já que foi
precisamente na decoração de ânforas, pratos e utensílios, cuja comercialização
era um negócio muito produtivo na antiga Grécia, que a arte da pintura pôde se
desenvolver. No começo, os desenhos eram formas geométricas elementares - de
onde se originou a denominação de geométrico conferida a esse primeiro período
(séculos IX e VIII a.C.) - que mal se destacavam na superfície. Surgiram então
os primeiros desenhos de plantas e animais guarnecidos por adornos chamados de
meandros.
Numa
etapa próxima, já no período arcaico começou a ser incluída nos desenhos a
figura humana, que apresentava um grafismo muito estilizado. As cenas eram apresentadas
em faixas horizontais paralelas que podiam ser visualizadas ao se girar a peça
de cerâmica. Com a substituição do cinzel pelo pincel, os traçados se tornaram
mais precisos e ricos em detalhes. Um exemplo são os vasos gregos atraves dos quais se contava uma historia.



A
história da pintura pode ser dividida estilisticamente em:
W
Protogeométrico – de aproximadamente 1050 a.C.;
W
Geométrico – de aproximadamente 900 a.C.;
W
Arcaico – de aproximadamente 750 a.C.;
W
Pinturas negras – do
aproximadamente entre 700 a 600 a.C;
W
Pinturas vermelhas – de
aproximadamente 530 a.C.
Durante os períodos Protogeométrico e
Geométrico a cerâmica grega foi decorada com projetos abstratos. Em
períodos posteriores, com a mudança estética os temas mudaram, passando a ser figuras humanas. A batalha e cenas de caçada também eram
populares.
Em períodos
posteriores, temas eróticos, tanto homossexual quanto
heterossexual, tornaram-se comum.
Como na escultura, no período arcaico a pintura grega lembrava
a egípcia, com todos os símbolos e detalhes
usados de forma a simplificar o desenho, como os pés sempre de lado os rostos de perfil com o
olho virado para a frente, além da firmeza e do
equilíbrio comum a esta.
As pinturas representavam o cotidiano das pessoas e cenas mitológicas, como deuses e semideuses. As Pinturas negras foram pintadas por Exéquias e os personagens da ânfora foram pintados de preto, permanecendo o fundo com a cor natural da argila. Essas são as chamadas figuras negras. Note que após a pintura o contorno e o interior do desenho eram riscados com uma ferramenta pontiaguda, de forma que a tinta preta fosse retirada. Em 530 a.C. ocorreu uma revolução na pintura de cerâmicas. Um discípulo de Exéquias resolveu inverter o esquema de cores, ficando o fundo preto com as figuras da cor vermelha do barro cozido, as Pinturas vermelhas.


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