A
arte românica, desenvolveu-se desde o século XI até o
início do século XIII, período caracterizado pela crise do sistema feudal. No
entanto, a Igreja ainda conservava grande poder e influência, determinando a produção cultural e artística desse período, cuja representação
típica são as basílicas.
Em 476, com a tomada de Roma pelos
povos bárbaros, tem início o período histórico conhecido por Idade Média. Na
Idade Média a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã,
trazendo modificações no comportamento humano, com o Cristianismo a arte se
voltou para a valorização do espírito.
Os valores da religião cristã vão
impregnar todos os aspectos da vida medieval. A concepção de mundo dominada
pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo
(teos = Deus). Deus é o centro
do universo e a medida de todas as coisas. A igreja como representante de Deus
na Terra, tinha poderes ilimitados.
O
termo "Românico" é uma referência às influências da cultura do Império
Romano, que havia dominado durante séculos quase toda a Europa Ocidental,
porém, essa unidade já há muito havia sido rompida, desde a invasão dos povos
bárbaros.
Apesar
de línguas e tradições diferenciadas nas várias regiões européias, e da fragmentação
do poder entre os senhores feudais, o elemento religioso manteve a idéia de
unidade na Europa e a arte Românica reforça essa unidade.
Há
que se considerar que neste período havia uma forte ingerência do poder
político sobre a estrutura religiosa, determinada a partir do Sacro Império
Romano Germânico, sendo que ao mesmo tempo iniciou-se um movimento de reação à
investidura leiga, partindo principalmente dos mosteiros, que tenderam a se
fortalecer. Esse foi ainda um período de início do desenvolvimento comercial e
de peregrinações, favorecendo a difusão dos novos modelos.
ARQUITETURA
Durante
a Idade Média os mosteiros tornaram-se os centros culturais da Europa, onde a
ciência, a arte e a literatura estavam centralizados.
Os monges beneditinos foram os primeiros a propor em suas construções as formas
originais do românico. Surge assim uma arquitetura abobadada, de paredes
sólidas e delicadas colunas terminadas em capitéis cúbicos. Os mosteiros eram
na verdade unidades independentes e dessa forma estruturaram-se segundo
necessidades particulares.
A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade.

As características mais significativas da arquitetura românica
são:
! abóbadas em substituição ao telhado das
basílicas;
! pilares maciços que sustentavam e das
paredes espessas;
! aberturas raras e estreitas usadas
como janelas;
! torres, que aparecem no cruzamento das
naves ou na fachada; e
! arcos que são formados por 180 graus.
Foi
nas igrejas que o estilo românico se desenvolveu em toda a sua plenitude. Eram
os próprios religiosos que comandavam as construções, a partir do conhecimento
monástico. Suas formas básicas são facilmente identificáveis: a fachada é
formada por um corpo cúbico central, com duas torres de vários pavimentos nas
laterais, finalizadas por tetos em coifa. Um ou dois transeptos,
ladeados por suas fachadas correspondentes, cruzam a nave principal. Frisos de
arcada de meio ponto estendem-se sobre a parede, dividindo as plantas.

O
motivo da arcada também se repete como elemento decorativo de janelas, portais
e tímpanos. As colunas são finas e culminam em capitéis cúbicos lavrados com
figuras de vegetais e animais. Nesse estilo destacam-se a abadia de Mont Saint-Michel, na França, e a catedral de Speyer, na Alemanha.

ESCULTURA
A escultura românica esta diretamente
associada à arquitetura, as estátuas-colunas, e que desenvolve-se
nos relevos de pórticos e arcadas. A escultura desenvolveu-se com um caráter
ornamental, onde o espaço em branco dos frisos, capitéis e pórticos é coberto
por uma profusão de figuras apresentadas de frente e com as costas grudadas na
parede. As imagens encontradas são as mais diversas, desde representações do
demônio, até personagens do Velho Testamento.

O
corpo desaparece sob as inúmeras camadas de dobras angulosas e afiladas das
vestes. As figuras humanas se alternam com as de animais fantásticos, e mesmo
com elementos vegetais. No entanto, a temática das cenas representadas é
religiosa. Isso se deve ao fato de que os relevos, além de decorar a fachada,
tinham uma função didática, já que eram organizados em faixas, lidas da direita
para a esquerda.

Devemos
mencionar também o desenvolvimento da ourivesaria durante esse período. A exemplo da escultura e da pintura, essa arte teve um
caráter religioso, tendo por isso se voltado para a fabricação de objetos como
relicários, cruzes, estatuetas, Bíblias e para a decoração de altares.
O desenvolvimento da ourivesaria esta
associado diretamente às relíquias, uma vez que as Igrejas ou mosteiros que
possuíam as relíquias com o poder de realizarem milagres eram objeto de maior
peregrinação, atraindo não só fiéis, mas ofertas.

PINTURA
A pintura Românica teve pequena
expressão. Em alguns casos, as cúpulas das igrejas possuíam pinturas murais de
desenho cujos temas mais freqüentes abordavam cenas retiradas do Antigo e do
Novo Testamento e da vida de santos e mártires, repletas de sugestões de
exemplos edificantes.
Os
motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características
essenciais da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos
religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade.

A
figura de Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, sem
preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a menor
intenção de imitar a natureza.
Destaca-se o desenvolvimento das Iluminuras,
arte que alia a ilustração e a ornamentação, muito utilizada em antigos
manuscritos, ocupando normalmente as margens, como barras laterais, na forma de
molduras.

Like?
Envie
um e-mail
Pinte sua opinião
Retorne ao Blog
A
autora no Orkut
_
_