BARROCO
A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII) mas não tardou a
irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente
americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis.
As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o
sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas
renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca
predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.
É uma época de conflitos espirituais e religiosos.
O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal; Deus e
Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; paganismo e
cristianismo; espírito e matéria.
No barroco, a pintura é inquietante e altamente
espiritualizada. Os pintores barrocos enfatizaram novos e sugestivos métodos de
composição. Usaram técnicas tais como figuras desproporcionais ante a
perspectiva e desenhos que eram intencionalmente assimétricos.
A pintura barroca é uma pintura realista, concentrada nos
retratos no interior das casas, nas paisagens nas naturezas mortas e nas cenas
populares (barroco holandês). Por outro lado, a expansão e o fortalecimento do
protestantismo fizeram com que os católicos utilizassem a pintura como um
instrumento de divulgação da sua doutrina.
Esses artistas interessavam-se mais em captar a
idéia de espaço e movimento do que apresentar formas individuais como a última
perfeição. Miguel Ângelo, Caravaggio e Annibale Carraci foram pintores
barrocos de grande nome. Petrus Paulus
Rubens, de Flandres (hoje pertence à Bélgica), foi o líder da pintura barroca
no norte.
Os pintores espanhóis El Greco e Diego Valázquez acrescentaram elementos fortes e sombrios ao
movimento. Como a arquitetura, a pintura barroca francesa do período conservou sobretudo qualidades clássicas, por exemplo nas obras de
Nicolas Poussin e Claude - século XVII.
No Brasil, destacam-se os trabalhos de Manuel da
Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro, em Minas Gerais, e as pinturas
alegóricas de Pernambuco (Recife e Olinda), onde os temas religiosos se
mesclavam a elementos profanos alusivos à invasão holandesa a às lutas contra os
ocupantes.
Suas características gerais são:
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Emocional sobre o racional; seu propósito é
impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual
a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.
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Busca de efeitos decorativos e visuais, através de
curvas, contracurvas, colunas retorcidas;
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Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;
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Violentos contrastes de luz e sombra;
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Pintura
com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a
aparência de profundidade conseguida.
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Composição assimétrica, em diagonal - que se revela
num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica
e o equilíbrio da arte renascentista.
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Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos
sentimentos) - era um recurso que visava a intensificar a sensação de
profundidade.
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Realista, abrangendo todas as camadas sociais.
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Escolha de cenas no seu momento de maior
intensidade dramática.
Dentre os pintores barrocos italianos:
Caravaggio - o que
melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz.
Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo
artista, para dirigir a atenção do observador.
Obra destacada: Vocação de São Mateus.

Andrea Pozzo -
realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas
barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no
teto, e de que este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os
homens para a santidade.
Obra destacada: A Glória de Santo Inácio.

A
Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os pintores mais
representativos, de outros países da Europa, temos:
Velázquez - além de
retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII procurou registrar em
seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do
povo espanhol num dado momento da história.
Obra destacada: O Conde Duque de Olivares.

Rubens (espanhol) - além de um colorista vibrante, se
notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos
corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes
- o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele
clara das figuras humanas.
Obra destacada: O Jardim do Amor.

Rembrandt (holandês) - o que dirige
nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz
e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem
áreas de luminosidade mais intensa.
Obra destacada: Aula de Anatomia.

Na Escultura, a aura barroca teve um
importante papel no complemento da arquitetura, tanto na decoração interior
como exterior, reforçando a emotividade e a grandiosidade das igrejas.
Destaca-se principalmente as obras de Bernini, arquiteto e escultor que dedicou sua obra
exclusivamente a projeção da Igreja Católica, na Itália. A principal
característica de suas obras é o realismo, tendo-se a impressão de que estão
vivas e que poderiam se movimentar.
As
esculturas em mármore procuraram destacar as expressões faciais e as
características individuais, cabelos, músculos, lábios, enfim as
características específicas destoam nestas obras que procuram glorificar a
religiosidade.
Multiplicavam-se
anjos e arcanjos, santos e virgens, deuses pagãos e heróis míticos, agitando-se
nas águas das fontes e surgindo de seus nichos nas fachadas, quando não
sustentavam uma viga ou faziam parte dos altares.

Na
arquitetura barroca, a expressão típica são as Igrejas, construídas em grande quantidade
durante o movimento de Contra-Reforma. Rejeitando a simetria do renascimento,
destacam o dinamismo e a imponência, reforçados pela emotividade conseguida
através de meandros, elementos contorcidos e espirais, produzindo diferentes
efeitos visuais, tanto nas fachadas quanto no desenho dos interiores.
Quanto
à arquitetura sacra, compõe-se de variados elementos que pretendem dar o efeito
de intensa emoção e grandeza. O teto elevado e elaborado com
elementos de escultura dão uma dimensão do infinito; as janelas permitem
a penetração da luz de modo a destacar as principais esculturas; as colunas
transmitem uma impressão de poder e de movimento. Quanto à arquitetura
palaciana, o palácio barroco era construído em
três pavimentos.
Os
palácios, em vez de se concentrarem num só bloco cúbico, como os
renascentistas, parecem estender-se sem limites sobre a paisagem, em várias
alas, numa repetição interminável de colunas e janelas.
A
edificação mais representativa dessa época é o de Versalhes, manifestação
messiânica das ambições absolutistas de Luís XIV, o Rei Sol, que pretendia, com
essa obra, reunir ao seu redor - para desse modo debilitá-los - todos os nobres
poderosos das cortes de seu país.

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