As
primeiras obras de arte datam do período Paleolítico. Entre as obras mais
antigas já encontradas estão pequenas estátuas humanas como, por exemplo, a
Vênus de Willendorf (aproximadamente 25000 a.C.).

Os mais conhecidos conjuntos de
pinturas em cavernas ( arte rupestre ) estão em
Altamira, na Espanha e datam de 30000 a.C. a 12000 a.C.; e em Lascaux, na França de 15000 a.C. a 10000 a.C. , onde se
encontram pinturas rupestres de animais pré-históricos como: cavalos, bisões,
rinocerontes. Estas pinturas indicam rituais pré-históricos ligados à caça.
As imagens demonstram um naturalismo
e evoluem da monocromia à policromia entre os anos de
15000 a.C. a 9000 a.C.Tudo começou outro dia, cerca de
40.000 anos atrás, um pouco mais, talvez. Formavam-se os primeiros grupos ou
tribos, surgiam as primeiras moradias em cavernas,
artefatos rudimentares, enfim... surgia a humanidade.
Era o Paleolítico Superior.
Duas coisas, em uma época tão
selvagem, onde o homem não tinha praticamente uma linguagem falada, me são
completamente intrigantes e ao mesmo tempo reveladoras. A primeira delas é que,
sem nenhum deus, sem nenhuma religiosidade, o bicho homem enterrava os seus
mortos e colocava apetrechos junto deles. Havia, portanto, alguma idéia, mesmo
que não pudesse ser verbalizada, de eternidade, de outra instancia, de outra
vida. É fantástico que um ser que mal pensava, já nutrisse essa espécie de
sentimento e emoção. É intrigante e revelador. A segunda coisa intrigante é que
nesse mundo onde a vida era constantemente ameaçada, o bicho homem dedicasse
tempo a arte.
É dessa época que se encontram as
primeiras pinturas rupestres, os primeiros desenhos com cenas do cotidiano, os
primeiros artistas das cavernas. As cores mais usadas eram o preto, vermelho e
ocre. Não por uma escolha dos artistas mas porque eram
mais fáceis de se obter na natureza. As cenas eram de caçadas e traduziam
sempre o animal sendo caçado. Não há cenas do homem sendo ferido ou morto pelos
animais.
Acredita-se que os homens, na
pré-história, atribuíam algum poder a pintura, ou seja, que aquilo que fosse
retratado, de fato aconteceria. Nesses termos, a pintura era um ritual de caça.
Talvez, e isso é mera especulação, fosse feita no exato momento em que os
homens saiam para a caça, assim como uma espécie de magia ou feitiçaria.
Há uma coisa muito interessante sobre
essas pinturas. Elas não eram feitas nas entradas das cavernas, onde batia a
luz do Sol e onde poderiam ser mais apreciadas. Essas pinturas eram feitas nos
fundos das cavernas, onde só podiam ser vistas a luz de archotes, o que devia
ser bem complicado naquela época. Também se fazia uma pintura em cima da outra.
Por Que? Talvez porque a pintura não tivesse o
propósito de enaltecer o belo e sim de retratar, o mais próximo da realidade
possível, o que se desejava que acontecesse, isto é, o sucesso da caçada.
Era, portanto um ritual e não se
pensava em eternizá-la. Os artistas devem ter sido valorizados pela capacidade
de retratar a realidade ou pela sorte de fazer com que a caçada fosse boa. É
bom lembrar que naquela época, enfrentar um bisão era uma tarefa das mais
complicadas. Os homens tratavam de atraí-los para armadilhas onde eles
despencassem de abismos, caíssem em buracos ou atolassem na lama e ficassem
indefesos.
O homem usava todos os materiais
disponíveis, pigmentos, gema de ovo, sangue, fezes, enfim, tudo o que podia
(eram predecessores de Vik Muniz). Também me
impressiona como os cientistas conseguem descobrir isso hoje
mas parto do pressuposto de que falam a verdade. É claro que com o tempo
o homem deixou de pintar só no fundo das cavernas e passou a pintar objetos e
amuletos. Com o advento da cerâmica, a pintura encontrou uma nova base e
expandiu-se mas estou querendo falar sobre o início
mesmo, sobre as pinturas mais antigas.

A primeira pintura rupestre foi
descoberta por uma menina travessa de 4 anos. Ela
acompanhava o pai em uma exploração de cavernas e não se interessando em
procurar fósseis como o pai, foi fazer uma pesquisa própria em um cantinho mais
distante. Ao acender a sua lanterna, deu de cara com a pintura de um bisão e,
assustada, começou a chorar. Às vezes as grandes descobertas acontecem por
acaso. Isso foi em 1879, na Espanha.

O homem das cavernas usava os minerais oxidados, carvões, vegetais e outros elementos que esmagados e dissolvidos em gordura animal, faziam as vezes de nossas tintas. Usavam os dedos para pintar, mas há evidencias de que usavam também pinceis de penas e pelos e também espátulas.
Outra técnica interessante era obter um pó colorido, pousar a mão sobre uma pintura e soprar o pó através de um canudo, desenhando assim a silhueta da mão, como uma assinatura. A escultura não fugiu muito a temática das caçadas mas acrescentou a figura da mulher, por conta da fecundidade.
As mulheres são representadas com a genitália em tamanho desproporcional. Com a idade dos metais, os homens passaram a fazer estátuas de bronze ou ferro, usando formas de barro. O artista preparava a fôrma de barro e depois a preenchia com o metal derretido. Quando tudo esfriava, quebrava-se o barro e ficava-se com a escultura em metal. Foi um grande avanço de tecnologia. Ainda hoje fazemos coisas parecidas.

A alma de artista nasceu junto com o
homem. Desde os seus primórdios, quando habitava cavernas e emitia sons que não
podiam ser considerados ainda como uma linguagem, já existia em nossa alma um
pouco de arte e esse desejo de moldar, desenhar, pintar e interpretar a nossa
realidade. Será isso o que nos distingue?
Na região entre os rios Tigre e
Eufrates desenvolveu-se a civilização mesopotâmica. Nesta região, sumérios,
babilônios, assírios, caldeus e outros povos desenvolveram uma arte que
demonstra a religiosidade e o poder dos governantes. São touros alados,
estatuetas de olhos circulares, relevos em paredes representando guerras e
conquistas militares e animais e pictogramas representando fatos da realidade
daqueles povos.
No Antigo Egito as obras de arte possuíam um
forte caráter religioso e funerário.
Essas características podem ser explicadas em função da crença que os egípcios tinha na vida após a morte. Há representações artísticas de deuses, faraós e animais explicadas por textos em escrita hieroglífica. As pinturas eram feitas nas paredes das pirâmides ou em papiros. Representavam o cotidiano da nobreza ou tratava de assuntos do cotidiano. Uma das características principais é o desenho chapado, de perfil e sem perspectiva artística.


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