MANEIRISMO
Maneirismo
é o nome empregado para designar as manifestações artísticas desde 1520,
momento quando se inicia a crise do renascimento, até o início do século XVII.
Todo
esse período foi marcado por uma série de mudanças na Europa, que envolveram os
movimentos religiosos reformistas e a consolidação do absolutismo em diversos
países.
O
Maneirismo é o termo empregado para indicar a arte realizada na Itália no
período compreendido entre o Renascimento e o Barroco, aproximadamente de 1520
a 1600. O termo deriva de maniera (maneira),
em italiano, e foi empregado pelo historiador Vasari
(1511-74) no século XVI como um sinônimo para o que hoje chamamos de estilo.
As
guerras que envolveram a Itália e posteriormente a força da Inquisição irão
determinar um grande êxodo de artistas e intelectuais em direção à outros países; "Os grandes impérios começam a se
formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo".
Trata-se
de uma arte mais turbulenta, em que se buscavam idéias novas, invenções que surpreendessem, insólitas, cheia de significados obscuros e
referências à alta cultura. Acredita-se que tenha sido influenciada ainda pela
contra-reforma católica e pelo clima de inquietação do momento.
Complexo
fenômeno cultural, poderíamos definir formalmente o
maneirismo, como a arte que comporta as qualidades de graça, leveza,
simplicidade e sofisticação. Suas composições são tão complexas quanto, mas sem
aquela unidade coesa das obras barrocas.
Nesse
sentido se perceberá que o maneirismo tem características variadas, difícil de
reuni-las e um único conceito.
O
termo Maneirismo foi utilizado por Giorgio Vasari
para se referir a "maneira" de cada artista trabalhar. Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho
nos detalhes começam a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas
linhas dos cânones clássicos.
Muitos
críticos consideram que o maneirismo representa a oposição ao classicismo e ao
mesmo tempo, manteve-se como tendência artística até o desenvolvimento do
Barroco, que marcaria a nova visão artística da Igreja Católica, após o
movimento de contra reforma.
Alguns historiadores o consideram uma transição entre o
renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como um estilo
propriamente dito.
Os
artistas passam a criar uma arte caracterizada pela deformação das figuras e
pela criação de figuras abstratas, onde não havia relação direta entre o
tamanho da figura e sua importância na obra.
A
arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano
longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal
sobre o transepto, deixando de lado as de plano
centralizado, típicas do renascimento clássico.
No
entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo
introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na
distribuição da luz e na decoração.
Naves
escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coros com escadas em espiral,
que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera
de rara singularidade.
Guirlandas
de frutas e flores, balaustradas povoadas de figuras caprichosas são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis,
conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de
pedra que confunde a vista.
Na
arquitetura profana ocorre exatamente o mesmo fenômeno. Nos ricos palácios e
casas de campo, as formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra
prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento.
A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.
Principais características:
Nas
igrejas:
· Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coros com escadas em
espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma
atmosfera de rara singularidade.
· Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoadas de figuras caprichosas
são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas
cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a
vista.
Nos ricos palácios e casas de campo:
· Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre
o quadrado disciplinado do renascimento.
· A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas
coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição
entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.
Principais Artistas:
BARTOLOMEO AMMANATI , (1511-1592), Autor de vários
projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do
conde de Montefeltro, o palácio dos Mantova, a villa na Porta del Popolo. A fonte da Piazza della Signoria.
Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal.
De acordo com os preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte,
legou a eles todos os seus bens.

GIORGIO VASARI, (1511-1574), Vasari é conhecido por
sua obra literária Le Vite (As Vidas), na qual, além
de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco
fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de
fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados.
Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de
suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro.
Vasari também trabalhou em colaboração com
Michelangelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550,
fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de
sua vida em Florença, dedicado à arquitetura.

PALLADIO, (1508-1580), O interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra
arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de
linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a
uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria se dedicar à arquitetura
sacra em Veneza, com a construção das igrejas San
Giorgio Maggiore e Il Redentore.
Não se pode dizer que Palladio tenha sido um
arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse
período. A obra de Palladio foi uma referência
obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco.

ESCULTURA
Na
escultura, o maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas
clássicas soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o
distanciamento da realidade.
Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da
pintura.
Não
faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de
planos, ou ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de
tensão tão característica do espírito maneirista.
O
espaço não é problema para os escultores maneiristas. A composição típica desse
estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras, num
equilíbrio aparentemente frágil, unidas por contorções extremadas (figura serpentinada) e exagerado alongamento dos músculos.
A composição é definitivamente mais
dinâmica que a renascentista, e as proporções da antigüidade já não são a única
referência.
O
modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas
impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a composição geral da peça
e a graciosidade de todo o conjunto.
É dessa forma que o grande gênio da escultura, Giambologna, consegue representar, numa só cena, elementos iconográficos tão complicados como a de sua famosa obra O Rapto das Sabinas.
Principais características:
· A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas
sobre as outras, num equilíbrio aparentemente frágil, as figuras são unidas por
contorsões extremadas e exagerado alongamento dos
músculos.
· O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas
impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a composição geral da peça
e a graciosidade de todo o conjunto.
Principais Artistas:
BARTOLOMEO AMMANATI, (1511-1592), Realizou trabalhos em várias cidades
italianas. Decorou também o palácio dos Mantova e o
túmulo do conde da cidade. Conheceu a poetisa Laura Battiferi,
com quem se casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II, que
incumbiu-o da construção de sua villa
na Porta del Popolo. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto.
No ano de 1555, com a morte do papa, voltou para Florença, onde venceu um
concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse
pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi,
com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos
jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

GIAMBOLOGNA, (1529-1608), De origem flamenga, Giambologna
deu seus primeiros passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. Poucos anos depois mudou-se
para Roma, onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de
suas obras.
Estabeleceu-se finalmente em Florença, na corte dos Medici.
O Rapto das Sabinas, Mercúrio, Baco e Os Pescadores
estão entre as obras mais importantes desse período.

Participou também de um concurso na cidade de Bolonha, para o qual realizou uma
de suas mais célebres esculturas, A Fonte de Netuno.Trabalhou
com igual maestria a pedra calcária e o mármore e foi grande conhecedor da
técnica de despejar os metais, como demonstram suas esculturas de bronze. Giambologna está para o maneirismo como Michelangelo está
para o renascimento.

PINTURA
É
na pintura que o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os
pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones
renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que
já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela
própria arte.
Uma estética inteiramente original,
distanciada dos cânones clássicos renascentistas, começa a se insinuar dentro
das novas obras pictóricas.
Pode-se
tomar como exemplo uma composição em que uma multidão de figuras se comprime em
espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos,
completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente.
Nos
corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem torneados do
renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para
os seres humanos.
Rostos
melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado
minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras,
produzindo sombras inadmissíveis. Algumas
vezes frívolas e superficiais, as pinturas maneiristas mais são veículo de
intrincadas simbologias do que de emoção.
Os
verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da
perspectiva, mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não
sem certa dificuldade, encontrá-lo. No entanto, a integração do conjunto é
perfeita.
E
é assim que, em sua última fase, a pintura maneirista, que começou como a
expressão de uma crise artística e religiosa, chega a seu verdadeiro apogeu,
pelas mãos dos grandes gênios da pintura veneziana do século XVI.
A
obra de El Greco
merece destaque, já que, partindo de certos princípios maneiristas, ele acaba
desenvolvendo um dos caminhos mais pessoais e únicos, que o transformam num
curioso precursor da arte moderna.
Principais características :
· Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços
arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos,
completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente.
· Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados
do renascimento. Os músculos fazem agora contorsões
absolutamente impróprias para os seres humanos.
· Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes.
· A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras
inadmissíveis.
· Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da
perspectiva,
· mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa
dificuldade, encontrá-lo.
Principal Artista:
EL GRECO, (1541-1614), Ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o
desenho e o colorido da pintura veneziana e a religiosidade espanhola. Na
verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos.
Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de
Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos
existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no
ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas
obras.
Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de
Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Filipe
II, para os conventos locais e para a nobreza toledana.
Entre suas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade
mística. Homem com a Mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São
Maurício. Esta última lhe custou a expulsão da corte.

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