ROCOCÓ
Entre todos os movimentos artísticos
existentes entre a Renascença e o Impressionismo, o Rococó é o mais sedutor e
cativante. Por não ter uma origem (influência) bem definida, não é fácil
escrever sobre ele.
Com
a morte do Rei Luís XIV, em 1715, assume o governo na França o Regente Duque de
Orleans, já que o sucessor do Rei Sol, seu bisneto
Luís XV, tinha apenas 5 anos de idade.
Por
isso o estilo Regência é a transição entre os estilos Luís XIV e Luís XV. Nesse
estilo - Regência - com a corte sendo transferida de Versalhes para Paris,
sentia-se uma reação para menor pompa, maior alegria e simplicidade.
Estava
plantada a semente do rococó. O nome vem do francês rocaille,
um dos elementos decorativos mais característicos desse estilo, não somente da
arquitetura, mas também de toda manifestação ornamental e de adereços. O estilo
conheceu grande desenvolvimento durante a regência de Filipe de Orléans.
O
termo Rococó* originou-se de duas palavras francesas: "rocaille",
que significa rocha ou gruta, e "coquille",
"embrechado", que quer dizer conchas e
fragmentos de vidro utilizadas originariamente na decoração de grutas
artificiais.
A
França passava por uma situação econômica difícil, e o reflexo disso notava-se
na construção de palácios menores, que sugeriam maior intimidade nas festas.
Com
a transferência da alta sociedade para Paris, os edifícios particulares como o Hôtel de Toulouse, Hôtel d'Assy, o Chateau de Chantilly e o
próprio Palais Royal, de propriedade do Regente,
tornaram-se o palco onde se executavam as mais deslumbrantes decorações no
estilo Rococó.
Na
França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI.
Rococó
é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, mais
leve e intimista que aquele e usado inicialmente em decoração de interiores.
Desenvolveu-se
na Europa do século XVIII, e da arquitetura disseminou-se para todas as artes.
Vigoroso até o advento da reação neoclássica, difundiu-se
principalmente na parte católica da Alemanha, na Prússia e em Portugal.
Foi um movimento de uma sociedade civilizada e eclética. A nova arte surgiu em construções reais próximas a Versalhes. Logo entrou no palácio do Rei Sol, como opção de fuga da atmosfera pesada dos ambientes criados por Lebrun. São exemplos de arte rococó o Castelo de Marly (já demolido), o Grand Trianon e o Petit Trianon.

Luís
XIV, ao mandar restaurar o Castelo de la
Ménagerie para a Duquesa de Borgonha, de 13 anos de
idade, noiva do seu neto mais velho, recusou um projeto decorativo que previa a
pintura de figuras de deusas clássicas no teto, e escreveu ao arquiteto:
"Parece-me que alguma coisa deve ser mudada, pois os temas escolhidos são
excessivamente sérios; uma nota juvenil deve aparecer em tudo o que for feito...Deve
haver uma atmosfera de meninice por toda a parte".
O
resultado da mudança para o estilo Rococó, que Luís classificou como magnífica
e encantadora, foi uma decoração com motivos de grinalda de flores, setas e
arcos estilizados, gavinhas de folhas de acanto, tudo filigranado, com
pássaros, cães e figuras de donzelas entre as folhagens.
Outras
características do Rococó são as pinturas de arabescos derivados dos romanos, a
introdução de formas foliáceas e volutas em forma de C, a característica curva
em S do Rococó. As cores mais usadas eram o branco-marfim para as paredes e o
dourado para as moldagens em relevo. Embora muitos motivos usados no Rococó
tivessem origem no clássico ou no barroco italiano, eram empregados com total
rejeição da Antiguidade.

Existe
uma alegria na decoração carregada, na teatralidade, na refinada
artificialidade dos detalhes, mas sem a dramaticidade pesada nem a
religiosidade do barroco.
Tenta-se,
pelo exagero, se comemorar a alegria de viver, um espírito que se reflete
inclusive nas obras sacras, em que o amor de Deus pelo homem assume agora a
forma de uma infinidade de anjinhos rechonchudos.
Tudo
é mais leve, como a despreocupada vida nas grandes
cortes de Paris ou Viena.
Os
temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia, pastorais, alusões ao
teatro italiano da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do
mundo vegetal em ornatos e molduras.
Características
gerais:
* Uso de formas curvas em abundancia e elementos decorativos, como
conchas, laços e flores.
* Leveza, carater intimista, elegância, alegria,
bizarro, frivolidade e exuberante.
* Cores
claras
* Tons
pastéis e douramento
*
Representação da vida profana da aristocracia
*
Representação de Alegorias
* Estilo
decorativo
A
arquitetura rococó é marcada pela sensibilidade, percebida na distribuição dos
ambientes interiores, destinados a valorizar um modo de vida individual e
caprichoso.
Na arquitetura, o estilo rococó
manifestou-se principalmente na decoração dos espaços interiores, que se
revestiram de abundante e delicada ornamentação.
As salas e
os salões têm, de preferência, a forma oval e as paredes são cobertas com
pinturas de cores claras e suaves, espelhos e ornamentos com motivos florais
feitos com estuque.
Em oposição a esse interior rico em
elementos decorativos, a fachada dos edifícios reflete um barroco sem exageros
ou o estilo clássico dos renascentistas italianos.
Essa
manifestação adquiriu importância principalmente no sul da Alemanha e na
França. Suas principais características são uma exagerada tendência para a
decoração carregada, tanto nas fachadas quanto nos interiores.
As
cúpulas das igrejas, menores que as das barrocas, multiplicam-se. As paredes
ficam mais claras, com tons pastel e o branco.


Guarnições
douradas de ramos e flores, povoadas de anjinhos, contornam janelas ovais,
servindo para quebrar a rigidez das paredes.
O
mesmo acontecia com a arquitetura palaciana. A expressão máxima dessa tendência
são os pequenos pavilhões e abrigos de caça dos jardins.
Construídas
para o lazer dos membros da corte, essas edificações, decoradas com molduras em
forma de argolas e folhas transmitiam uma atmosfera de mundo ideal. Para
completar essa imagem dissimulada, surgiam no teto, imitando o céu, cenas
bucólicas em tons pastel.
Na
metade do século, o "estilo Pompadour" já
constituiu uma variante do rococó: curvas e contra curvas animam as paredes e os
ritmos decorativos, afirma-se a assimetria, a trama linear invade tudo.
As
Vilas construídas para a favorita de Luís XV sugerem a evolução de um gosto que
se desenvolve com pequenas oscilações.
Os
móveis, importantíssimo complemento da construção arquitetônica, assumem uma
transcendência particular.
De
um lado isto decorre da exigência, de determinados arranjos. De outro lado a
variedade cromática, devido ao emprego de madeiras raras marchetadas, ornadas
de frisos dourados, é acompanhada pelo requinte de suas linhas.
Acompanha
tudo isso o gosto pelos bibelôs.
São exemplos dessa arquitetura o Hotel
de Soubise, construído por Germain Boffrand e decorado por Nicolas Pineau,
em Paris, entre os anos de 1736 e 1739, e o Petit Trianon, construído por
Jacques-Ange Gabriel, em Versalhes, entre 1762 e 1768.


O Hotel de Soubise, sobretudo o Salão da
Princesa, é um exemplo típico do estilo rococó. Nicolas Pineau criou, com
estuque, frisos que emolduram quadros e espelhos, guirlandas que se entrelaçam
em sucessivas linhas curvas, enfim, um ambiente tão decorado que o olhar do
observador é atraído sucessivamente para os mais diversos detalhes .
ESCULTURA
Devido
ao grande desenvolvimento decorativo, a escultura ganha importância. Os escultores
do rococó abandonam totalmente as linhas do barroco. Suas esculturas são de
tamanho menor.
A escultura, que se torna
intimista, geralmente procura retratar as pessoas mais importantes da época.
São famosas, por exemplo, as esculturas que Jean Antoine Houdon fez retratando Voltaire,
Diderot, Rousseau e outros tantos personagens da história francesa e
universal.
Dessas esculturas a de Voltaire é a mais
conhecida, por causa da percepção aguda que o artista teve do caráter desse
pensador francês.
Embora
usem o mármore, preferem o gesso e a madeira, que aceitam cores suaves. Os
motivos são escolhidos em função da decoração.
Mas não foi apenas nos retratos que
se destacou a escultura rococó. Foi ela a responsável pela criação das
estatuetas decorativas, a partir da invenção da porcelana por dois cientistas
alemães, Tischirnhaus e Boettger, em 1708.
Já em 1709 apareceram as primeiras peças
decorativas em porcelana. Durante o século XVIII, os escultores rococós
alemães, franceses, italianos e espanhóis criaram modelos para a manufatura de
estatuetas, reproduzindo temas mitológicos, campestres e da sociedade cortesã.
Entre esses escultores decorativos
estão, por exemplo, François Boucher e Étienne Maurice Falconet, que criaram
modelos de pequenas estátuas de Vênus, banhistas, ninfas e cupidos para a
Manufatura Real de Porcelana de Sévres.
Até
artistas famosos, principalmente aqueles ligados a manufatura de Sèvres se apressam a preparar para ela, desenhos e modelos.
Em função de lembrança, do souvenir, os pequemos grupos representam cenas de gênero e narram, com linguagem espontânea e cores luminosas, episódios galantes, brincadeiras e jogos infantis.
Nas
igrejas da Baviera surge o teatro sacro. Altares com iluminação a partir do
fundo, decorados com cenários carregados de anjos, folhas e flores, são a
referência ideal para cenas religiosas de uma inegável atmosfera de ópera.

Deve-se
destacar também que é nessa época que surge com um vigor
inusitado a indústria da escultura de porcelana na Europa, material trazido do
Extremo Oriente, na esteira do exotismo tão em voga nessa época.
Esse
delicado material era ideal para a época, e imediatamente surgiram oficinas
magistrais nessa técnica, em cidades da Itália, França, Dinamarca e Alemanha.

Principais Artistas:
Johann Michael Feichtmayr,
(1709-1772): escultor alemão, membro de um grupo de famílias de mestres da
moldagem no estuque, distinguiu-se pela criação de santos e anjos de grande
tamanho, obras-primas dos interiores rococós.

Ignaz Günther,
(1725-1775): escultor alemão, um dos maiores representantes do estilo rococó
na Alemanha. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. "Anunciação", "Anjo da
guarda", "Pietà".

PINTURA
A
pintura rococó deixa de lado os afrescos a fim de dar lugar aos arrases que
pendem macios das paredes e torna íntimo e discretos
os ambientes; aproveita os recursos do barroco, liberando-os de sua pesada
dramaticidade por meio da leveza do traço e da suavidade da cor.
Agora
o quadro tem pequenas dimensões, passando a ser colocado nas entreportas ou ao lado das janelas, onde antes eram
colocados os espelhos. Por vezes os quadros têm um lugar reservado: são os cabinets de pintura, onde se reúnem os entendedores para
apreciar as obras.

O
homem do rococó é um cortesão, amante da boa vida e da natureza. Vive na pompa
do palácio, passa o dia em seus jardins e se faz retratar tanto luxuosamente
trajado nos salões de espelhos e mármores quanto em meio a primorosas paisagens
bucólicas, vestido de pastorzinho.
As
cores preferidas são as claras. Desaparecem os
intensos vermelhos e turquesa do barroco, e a tela se enche de azuis, amarelos
pálidos, verdes e rosa.
As pinceladas são rápidas e suaves, movediças.
A
elegância se sobrepõe ao realismo. As texturas se aperfeiçoam, bem como os
brilhos.
Existe
uma obsessão muito particular pelas sedas e rendas que envolvem as figuras.
Os retratos de Nattier e as cenas
galantes de Fragonard são as obras mais
representativas desse estilo.


O
material preferido para obter o efeito aveludado das sedas e dos brocados, a
transparência das gazes e o esfumado das perucas brancas são os tons pastel.
Esses
pigmentos de cores diferentes, prensados na forma de pequenos bastões, ao serem
aplicados sobre uma superfície rugosa vão se desfazendo e é preciso fixá-los
com um líquido especial.
Sem
sombra de dúvida, é nesse período que a técnica do pastel atinge seu ponto
máximo de excelência.
Dentre os pintores desse período,
os que melhor expressam o estilo rococó são Watteau e Chardin.
Embora tendo nascido em Flandres, Antoine
Watteau (1684-1721) é considerado um verdadeiro mestre da pintura rococó
francesa. Seus quadros de cenas amorosas substituem as pinturas de temas
religiosos e históricos.
Seus personagens são joviais e
parecem dedicados ao gozo das coisas boas da vida, à busca de uma
cultura perfeita e da alegria de um viver tranqüilo. Mas é indisfarçável neles
uma nota de melancolia, um certo ar de tédio em meio ao prazer.
Jean-Baptiste
Siméon Chardin (1699-1779) tinha uma situação econômica melhor do que a
de Watteau. Esse fato permitiu-lhe uma criação mais livre e independente dos
favores da corte e das expectativas artísticas da aristocracia.
Por isso, seus quadros, em vez de
apresentarem o mundo fantasioso e frívolo dos cortesãos, retratam cenas da vida
cotidiana e burguesa da França – obra De Volta do Mercado .
A principal característica de
Chardin é a sua composição nítida e unificadora de todos os elementos
retratados.
A pintura de Chardin conserva o
mesmo toque luminoso de Watteau, mas os temas de interesse desses dois
artistas, apesar de pertencerern ao mesmo movimento artístico, são muito
diferentes.


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